terça-feira, 20 de abril de 2010

Análise sobre o DATAFOLHAConversei com um dos principais analistas brasileiros de pesquisas de mercado, para entender esse imbróglio das pesquisas eleitorais para presidente da República.

O ponto fora da curva foi, efetivamente, a pesquisa Datafolha de 29 de março passado. Todos os institutos – inclusive o próprio Datafolha – apontavam para uma aproximação crescente entre Dilma e Serra, com perspectiva de empate no curto prazo.

Aí vem a pesquisa Datafolha e apontou para um cenário diferente, o aumento da distância entre os dois candidatos, sem nenhum fato novo que justificasse a mudança.

A estranheza aumentou quando Mauro Paulino, diretor do Datafolha, escreveu artigo para a Folha apresentando os motivos que via para a mudança.

Primeiro, alegou que a melhora se deveu à redução das chuvas em São Paulo. Mas como assim, se o estado onde se registrou a maior mudança foi o Rio Grande do Sul? Como poderia o fim das chuvas em São Paulo influenciar o eleitor do Rio Grande do Sul e não influenciar o de São Paulo.

A segunda alegação era mais risível ainda: a mudança se deveria à entrevista dada por Serra ao programa do Datena. Nem dentro do Datafolha se acredita nessa história, diz o analista. Como supor que uma entrevista de Datena tivesse o condão de mudar a opinião de 5 milhões de eleitores?

As duas explicações de Paulino eram muito fracas para explicar mudanças tão grandes como aquelas. Três semanas depois, vem a pesquisa seguinte, que teria tudo para registrar uma melhorar de Serra, porque imediatamente após o anúncio da candidatura, com muita mídia em torno do evento. Deveria haver um aumento da diferença entre Serra e Dilma, mas a diferença ficou no mesmo lugar da pesquisa anterior.

Quando não era para haver, houve; e quando era para haver, não houve.

Diferenças metodológicas

Existem diferenças metodológicas entre três institutos – Ibope, Vox Populi e Sensus – e o Datafolha, explica o estatístico. No item escolaridade, a amostra do Datafolha tem até 12 pontos de diferença em relação a do IBGE.

É o único dos grandes institutos que adota essa metodologia de pesquisa, de aplicar os questionários em pontos de maior movimento das cidades escolhidas – e não nas casas dos eleitores.

Em princípio, é uma metodologia defensável também, desde que se tenha o cuidado ao inferir os resultados. Pode provocar diferenças, ao não entrevistar quem não sai de casa.

O que chama a atenção, porém, é que até o fatídico dia 29 de março, essa metodologia não estava trazendo nenhuma diferença relevante em relação aos demais institutos. As duas últimas pesquisas do Datafolha registraram grande convergência com os resultados dos demais institutos. Os quatro institutos estavam completamente dentro da reta estimada de evolução dos votos de ambos os candidatos.

O que teria ocorrido, então?

O estatístico não sabe dizer.

Pergunto, em tese, onde pode ocorrer direcionamento de pesquisas.

Em sua opinião, não é nem na definição da amostragem, na escolha dos municípios. Todos esses procedimentos seriam facilmente identificados, já que registrados no TSE.

Se algum instituto quiser manipular, a etapa adequada é a do processamento. Lá, é o analista, o computador e o operador.

Autor: luisnassif -

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