terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Poema nº 30

Para Paulo e Luciano

Resolver a música, isto é, fazer versos no tom certo.
Lançar versos no espaço e resistir à rima fácil, tal qual lançar versos no espaço aberto.
Criar o verso leve da canção marítima, com cheiro de sal e peixe.
Ousar o verso livre contido no vinho branco, tomar porres sempre que possível.
Praticar a justiça e incitar a revolução, ter sempre Guevara por perto..
Plantar a semente na terra fértil e colher o trigo, generosa resposta.
Amar a companheira de luta e, acima de tudo, respeitar a alegria do nosso povo livre.
Ler sempre que possível, à tarde preferencialmente, qualquer livro de Neruda.
Não esquecer, jamais, seu pai imperfeito.
Não esquecer jamais sua mãe, de cujo ventre santificado,
vocês vieram para vida e para o mundo.
Praticar a humildade digna de quem sabe e luta por seu pão e por seus direitos.
Indignar-se, sempre e mais, indignar-se.
Duvidar sempre e desconfiar das verdades supremas.
Aprender com os velhos, os camponeses, os mendigos o segredo da dor e da vida.
Apressar-se com a urgência dos jovens.
Tomar vodca gelada com caldo bem quente de feijão branco.
Manter sempre a espinha ereta e o coração tranqüilo.
Não cumprir ordens sem pensar, não acreditar que a vida e o mundo são um quartel
(Um pouco de anarquia não faz mal a ninguém).
Evitar os milicos de qualquer farda, cultivar flores e folhagens em casa.
Não usar terno e gravata. Sejam calmos e carinhosos e leais
com as mulheres da vida de vocês. Sejam iguais a elas.
Paulo Roberto Cequinel

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