quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Limpeza no porão

No domingo passado fiz uma limpeza no porão. Meu porão não se compara ao Mistério. Não tem gerações nos separando, nem tantas lembranças que me remetam ao sonho. Mas elas são um rastro da minha vida nesta cidade. Desde que aqui cheguei, periodicamente, faço uma limpeza no porão. Vão para reciclagem garrafas de vinho com desenhos originais, milhares de vidros de conservas, sapatos descartados, pedaços de aparelhos elétricos e eletrônicos. Revistas velhas. Jornais, embalagens de sabão em pó, amaciantes, coisas que escaparam na última limpeza, mas que agora vão. Fazendo uma analogia com essa limpeza, imagino que volta e meia faço isso com a minha cabeça, e encontro nos rincões mágoas adormecidas, raivas conservadas em embalagens descartáveis. Sonhos mal concebidos, planos que foram abandonados, amores que nem chegaram a ser. Um dia desses já fiz a limpeza e esvaziei minha alma. Confesso que sem mágoas e rancores a gente se sente meio perdida, mas também tem o alívio de olhar para dentro e ver aquela área limpa e cheirosa. Gavetas arrumadas, com as coisas muito bem resolvidas, que alívio. E um ou dois arrependimentos: porque joguei aquela rosa seca fora? que fim levaram os poemas de fulano? Mas nada se compara ao cheirinho de coisa limpa que domina o recinto depois da faxina. Aleluia!!!

3 comentários:

  1. Eu, que reconheço ter cara e jeitão de bobo, mas não sou, tratei de manter-me em conveniente distância do porão enquanto Sônia fazia a faxina.
    Sei lá, vai que ela me colocasse numa daquelas caixas cheias de coisas sem serventia, não é mesmo?
    Espero que uma próxima faxina demore ainda alguns anos.

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  2. Só mesmo vc para fazer comentário neste meu Blog solitário, do qual ninguém suspeita a existência. Seu maluco! Vc não corre perigo... por enquanto...

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