segunda-feira, 3 de outubro de 2011

RESENHA “TREM NOTURNO PARA LISBOA” Autor: Pascal Mercier Classe: Romance


   O professor Raimund Gregorius leciona línguas clássicas numa escola em Berna, Suíça. Depois de um encontro inusitado com uma mulher portuguesa, abandona a escola e sua vida regrada para descobrir, em Portugal, Lisboa, como viveu e morreu o autor de um livro que encontra num antiquário. Nesse percurso, conhece pessoas e fatos que mudam totalmente a sua vida e a forma como compreende seu passado.
    O livro foi construído em quatro partes. Na primeira, o autor trata da partida do personagem para Portugal. Na segunda, narra o encontro com a vida de Amadeu de Prado, o escritor. Na terceira, a tentativa de compreender as razões e emoções de Prado. Por fim, na quarta, o seu retorno à Berna e a constatação de quanto havia mudado.
    Durante toda a leitura, o leitor é levado a conhecer Lisboa sob a ótica dos personagens, em duas épocas distintas: a de hoje e a da ditadura de Salazar, formando aos poucos o quebra-cabeças que é a personalidade surpreendente de Amadeu. Trata-se e um médico que dedicou sua vida aos pobres, até que um dia salva a vida de um temido oficial da polícia salazarista. Daí em diante é desprezado pelos pacientes. Para se redimir perante os olhos da população passa a trabalhar para a resistência.
    Da obra destacam-se os textos escritos por Amadeu, que são páginas filosóficas sobre a vida, a religião e o ateísmo do personagem, sua luta entre a fé a razão. É sobre as relações humanas e as múltiplas faces de cada um. Os trechos do livro de Amadeu se entrelaçam com a vida de Gregorius de uma forma sutil e, ao longo do livro, o professor passa a ser alguém que surpreende a si mesmo a cada momento, um desconhecido que transforma o sentido de sua vida e a capacidade de sentir e se relacionar com o outro.
    O livro é, como disse Izabel Allende, um deleite para a alma. É ideal para quem procura uma leitura filosófica ou busca argumentos para um sentido da vida. É, todo o tempo, comovente, mas nunca piegas ou apelativo.
   O autor, Pascal Mercier, é na verdade Peter Bieri. Nasceu em 1944 em Berna. Vive em Berlim, onde leciona filosofia. Publicou três romances e um ensaio. Este romance já foi traduzido para 15 idiomas e ficou três anos na lista dos mais vendidos.

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