A votação da Câmara de Vereadores e eu.

          Como se esperava, a alteração do Plano Diretor foi aprovada ontem pelos vereadores. Surpresa para os eleitores de Margarete foi o seu voto a favor. Isso exige uma discussão à parte, que farei no momento devido.
          O que me impressionou foi a fumaça que os favoráveis à alteração jogaram sobre os olhos da platéia selecionada: de que a AMBB é contra o progresso e os empregos. Mais ainda, que seríamos o retrocesso de quem já tem o seu ganha pão garantido e dos que esperam pelos novos empregos. Em nenhum momento o padre Marcos, defensor da Fortesolo, falou da ilegalidade da construção do barracão, nem da falta de discussão do tema com a população DIRETAMENTE AFETADA, da qual, senhor  padre, senhor prefeito, senhores e senhora Vereador@s, faço parte. Moro nas Malvinas. Minha casa fica bem no lugar onde o prefeito quer instalar uma área industrial. Estou aposentada,senhor padre, e o único patrimônio da minha família é esta casa, que os senhores pretendem transformar em pó (de adubo e quem sabe do que mais).
          Não me envergonho de fazer a luta política, porque qualquer reivindicação de cidadãos é luta política. Lutar pelos direitos (meus e dos outros) não é vergonha nenhuma, senhor padre. Sua igreja sempre tentou vender essa imagem, de que os cordeiros de Deus devem mugir somente quando o padre deixar, e serem tangidos para onde a igreja quiser ou for do interesse dela. O senhor não vai conseguir me fazer sentir envergonhada de lutar pelos meus direitos e da minha família. Direito de morar num bairro decente, sem poluição, sem sujeira, sem perigos. 
        O senhor sabe que a questão não é de empregos. O senhor sabe que os empregos podem ser construídos no local adequado. O senhor sabe porque a Fortesolo não quer construir no porto e sim na entrada da cidade. Porque o senhor e o prefeito não querem contar isso para a população? Eu quero saber. Eu TENHO O DIREITO ASSEGURADO EM LEI  DE SABER. A Lei 20/2008 me assegura esse direito.
            O senhor jogou fumaça nos olhos dos rapazes fortões convidados a lhe aplaudir. Não ouviu, ou fingiu não ouvir a fala da AMBB. Nossa fala pedia a legalidade do processo. Não dissemos, em nenhum momento que somos contra os empregos. PORQUE ESSES EMPREGOS TEM QUE SER CONSTRUÍDOS NOS BAIRROS POPULOSOS, NA ENTRADA DA CIDADE? Nem o senhor, nem a Câmara, nem o prefeito respondem a essa pergunta.
             Por fim, senhor@s todos envolvidos nessa grande trapaça, asseguro que não vou parar de lutar. Lutar não é vergonha. Vou combater o bom combate, como fizeram meus pais e como a minha família, da qual muito me orgulho, sempre fez. 
             Que Deus se compadece da alma do padre. Ou não (como diria aquele velho compositor baiano).

Comentários

  1. Quer casar comigo?
    Sou bom de briga mas não tenho onde cair morto.
    Paulo Roberto "Golpe do Baú" Cequinel

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