terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Um ano daqueles!

     Cada vez mais fico admirada da qualidade dos últimos anos. Digo qualidade no sentido de que não são mais como os anteriores, quando a gente dizia: "Nossa, voou!" O ano passado não voou, foi aquele da tragédia no litoral, quando a natureza se sacudiu e jogou no chão  suas árvores, suas pedras e as casas construídas na montanha. E daí, as pessoas perderam suas casas e aguardam, desde então, as casas que deveriam ser entregues "no menor prazo possível", construídas com recursos já liberados pelo governo federal e que o o senhor governador do estado do Paraná não repassa para as prefeituras. 

    Este ano foi outro ano que não voou. Foi intenso, ano de eleições, quando partidos e candidatos se engalfinharam para a conquista da prefeitura de uma cidade falida. Eu quero acreditar que a intenção dessa disputa acirrada foi causada pela vontade de mudar a face do município. Moro aqui faz agora 18 anos. Nunca vi uma eleição tão disputada. Participei dela para tentar eleger os candidatos do meu partido, coisa que não conseguimos, por muitos motivos, que não dá para falar agora, porque não dá pra resumir a situação política de Antonina. 

     Mas o que me deixa certa da intensidade dessas últimos anos é outro fenômeno, maior que o  da natureza. Trata-se da Internet e da transformação das relações humanas. Vivi tanto tempo nesta cidade sem conhecer muita gente, isolada pelos afazeres domésticos, a família e as viagens para ver meus filhos,  netos e amigos espalhados pelo Brasil. De repente, a Internet. Parece título de filme e daria um filme bom. Por meio dela conheci pessoas do mundo todo e até de Antonina. Conhecemos a Lia e o Luiz Henrique pela Internet. Conheci os companheiros do partido compartilhando com eles e eles comigo as notícias de nosso interesse. Conheci os preconceitos, a solidariedade, as rivalidades, o romantismo, a religiosidade e a falta dela, campanhas para o bem e para o mal. As fotos de família, as fotos da natureza (lindas fotos do Eduardo Nascimento, da Carolina Bee e do Marcos Maranhão).  Descobri patifarias e conluios. Consegui(mos) um diálogo do nosso bairro (Batel) com a prefeitura da cidade. Eu, que ninguém nunca tinha visto e nem sabiam da existência, passei a trocar caneladas com anônimos do blog do Luiz. Fui tachada de isso e aquilo. E também tachei este ou aquele de coisas. Uma vida impensável nos anos noventa e até no início deste novo século. O ritmo de vida da cidade, antes calmo e madorrento, agora é de grandes vendavais de paixões, com direito a amizades desfeitas, muito choro, padres e pastores a dizer coisas que nunca antes diriam. Boatos e verdades sendo distribuídos grátis em casa, não pelo teletipo nem por cartas anônimas, mas pelo celular e pela tela do computador. As fotos de perfil, devidamente retocadas pelo fabuloso Fotoshop, permitem que a gente tenha uma idade etérea, indefinida. 

    Antonina pós Internet é interessante e viva. Mas também pode ser uma faca no peito. Foram dois anos intensos. Não voaram e, pela primeira vez, posso dizer a todos como passamos este ano. Pena que a maioria das pessoas não esteja interessada, afinal isso já é passado.

Nenhum comentário:

Postar um comentário