terça-feira, 4 de junho de 2013

"Causos" de Antonina VI



Jouber era namorador desde criança. Costumava ir ao cais para ver as meninas bonitas nos navios. A diversão da meninada era ir ao porto, para ver os navios aportarem e brincarem por ali. Gostavam de pisar o chão do porto, brincar de pique-esconde. Nesse tempo, grassava por Paranaguá a peste bubônica. O porto estava interditado. Um navio, o Heitor Soares, chegou a parar em Paranaguá com uma grande carga, mas foi impedido de descarregar. Lá orientaram que se dirigisse à Antonina.
A população soube que o navio havia estado em Paranaguá e que se dirigia para cá, e um número grande de moradores foi para o cais, a fim de impedir o navio de aportar. A população gritava em uníssono: “Não pode”, “Não pode”. Os tripulantes achavam que a população os estava saudando. E foram se aproximando. O prefeito, vendo que o navio ia aportar, pegou um escaler e dois secretários, e foi avisar o navio. Com um megafone, gritava: “Não pode. Mande a mala (a mala do correio)”. Eles entenderam: “Mande bala”. Pensaram que a população ia atacar o navio e afundaram o escaler do prefeito, que voltou nadando para o cais.

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